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Como foi estudar em Babson College

Este mês tive a oportunidade de participar de um curso de férias de inovação e empreendedorismo em Babson College, em Boston. Essa experiência surgiu devido à pós-graduação que cursei no ano passado na FIAP, sendo este curso em Babson a extensão internacional oferecida pela universidade.

Desde o primeiro dia de aula na FIAP, quando mencionaram esse curso, já surgiu a vontade de participar, e desde então comecei a me organizar para poder realizar esse sonho. No dia 5 de junho, embarquei para Boston para poder viver essa experiência.

O curso tem duração de uma semana, com direito a tudo: dormir nos alojamentos dentro do campus, comer no refeitório dos alunos e ter aulas com professores renomados da instituição (o verdadeiro sonho de qualquer pessoa que cresceu assistindo os clássicos da Disney Channel).

Ao chegar no campus fomos levados até o prédio onde ficamos hospedados, em apartamentos confortáveis com uma bela área comum com uma sala, cozinha e quatro quartos. No meu apartamento, fiquei eu e mais três mulheres que também fizeram cursos de pós-graduação na FIAP.

Rotina

Nossa rotina começava bem cedo, o café da manhã era servido das sete até as nove da manhã, e às nove em ponto começavam as aulas que iam até as cinco da tarde, com pequenos intervalos e pausa para o almoço.

Tínhamos duas aulas por dia, uma no período da manha e outra durante a tarde, e como era um longo período, os professores faziam intervalos para que pudéssemos tomar um café e digerir todo o conteúdo que estávamos aprendendo.

Além disso, também foram planejadas algumas atividades extras no nosso tempo livre para que aproveitássemos ao máximo.

Na segunda-feira, fizeram um happy hour em um pub dentro do próprio campus para nos recepcionar, com direito a comida e bebidas para que tivéssemos um bom momento de networking entre alunos e professores.

Na terça-feira, nos levaram até o centro de Boston para que pudéssemos aproveitar a cidade e conhecer alguns pontos turísticos. Foram três horas que tivemos livre para poder ir aonde quiséssemos, o que foi ótimo para conhecer um pouco do lugar, já que o campus fica um pouco afastado.

Na quarta-feira, tivemos um outro happy hour, mas dessa vez organizado pelo próprio pessoal da FIAP para que houvesse um tempo de confraternização entre os estudantes da faculdade e também para conhecer outros professores que passaram pela FIAP, mas que hoje estudam e moram em Boston.

Na quinta-feira não tinha uma programação formal, até porque ao longo da semana fomos responsáveis por desenvolver um projeto que seria apresentado no último dia de aula, e tínhamos que dedicar parte do nosso tempo livre para isso.

Mas ainda assim, não posso dizer que houve um dia sequer parado, porque além das atividades organizadas pela faculdade, também tiveram as festas promovidas pelos próprios alunos, e as pessoas permaneceram animadas a semana inteira, então não houve um dia sequer que não tivesse alguém organizando uma festa à noite para não poder dizer que não viveu a experiência completa de uma faculdade americana.

Alimentação

Nossas refeições estavam inclusa no pacote, e essa, com certeza, também foi uma experiência que vale ser mencionada.

No café da manha sempre tinha ovos mexidos, a cada dia uma variação diferente de batata frita, waffles e sirup (que de forma muito geral, podemos dizer que é um melaço que lembra um pouco mel). E para aqueles que queriam se manter de alguma forma equilibrados, algumas frutas e iogurte, além se suco de laranja e café.

No almoço e na janta vez ou outro tinha alguma variação, mas algo que não faltava nunca era macarrão com queijo, frango frito no maior estilo KFC, batata frita pizza e hambúrguer. E mais uma vez pensando nos que queriam equilibrar, saladas e frutas.

Nós brasileiros, não estamos muito acostumados com esse ritmo, então arroz, feijão e carne bovina foram algo que não demorou muito para fazer falta e nos deixar com saudade de um típico PF.

As aulas

Nós tivemos uma rotina intensa de muito conteúdo e atividades práticas passando por vários conceitos imprescindíveis quando falamos de empreendedorismo e negócios. Tivemos as seguintes matérias:

  • Entrepreneurial Leadership & Dynamics of Innovation
  • Babson Entrepreneurial Thought & Action: Finding Your Inner Entrepreneur
  • Gorillas v. Chimps v. Monkeys: The Competitive Ecosystem
  • From Ideas to Opportunities
  • Business Models & Entrepreneurial Finance & Personal Selling
  • Scaling Up Operations: Building Deep & Distinct Capabilities
  • From Guessing to Knowing: Who Buys and Why?

Além disso, também tivemos momentos dedicados para àquilo que foi chamado de Shark Tank, já que, desde o primeiro dia, fomos divididos em grupos com a responsabilidade de criarmos uma empresa do zero, aplicando todos os conceitos que iríamos aprender durante a semana. No final, faríamos uma apresentação no maior estilo Shark Tank, com um pitch para apresentar nossa proposta para nossos “investidores”.

Fomos expostos a tantos conteúdos que geraram tantos insights na minha cabeça que seria complicado falar sobre tudo aqui nesse post, mas com certeza vou escrever outros textos abordando especificamente coisas que aprendi nesse período.

Mas algo que não posso deixar de mencionar é a essência que foi sentida na pele em todas as aulas.

Todos os professores, sem nenhuma exceção, estavam extremamente entusiasmados, transmitindo aquele ar de “minha missão é fazer com que vocês tenham a melhor experiência das suas vidas”, e isso podia ser percebido não apenas nos conteúdos e na maneira como eram apresentados, mas também nas atividades propostas, que nos faziam exercitar, mesmo que por poucos minutos, aquilo que estava sendo apresentado.

Era nítido como aquilo que estava sendo construído em sala de aula era realmente algo de outro nível, porque pude perceber que o objetivo ali estava além do conteúdo em si. Mais do que o conhecimento técnico das matérias, a ideia era nos fazer aprender uma nova forma de pensar, uma nova forma de olhar para um desafio e analisar de uma forma que fosse além do óbvio.

Um dos nossos professores disse logo no primeiro dia de aula:

“Não estou aqui para te dizer a definição, porque se fizer isso vocês vão esquecer nos próximos cinco minutos. Então não vou simplesmente falar o que significa, mas sim espremer de vocês até que construam isso juntos.”

E isso se prolongou em todas as aulas que vieram depois, nos desafiando a pensar e concluir coisas que, depois de muito queimar a cabeça, pasmem, pareciam até óbvias. Mas ainda assim, a aplicação desses conceitos na prática não é nada fácil.

Conclusão

Eu sonhei por muito tempo em viver essa experiência, em estudar em uma universidade como aquelas dos filmes que via quando criança, com todos os clichês inclusos. Mas conforme esse sonho foi chegando cada dia mais perto de se realizar confesso ter sentido um forte frio na barriga, com medo do desafio do idioma, da exposição a novas pessoas de diferentes países, a conceitos complexos.

Mas ainda assim, no momento em que estava vivendo tudo isso, foi uma experiência mágica, não só pela sensação de sonho realizado, mas também por tudo que aprendi e pela visão de tantas possibilidades que aquilo pode me proporcionar.

Já de volta em casa, olho para trás com a noção do quanto isso me transformou, de certa forma, pessoal e profissionalmente.

No meu dia a dia no trabalho ocupo uma posição técnica em projetos de desenvolvimento de tecnologia, e apesar desse curso em Babson não ter relação direta com isso, sei o quanto esse conhecimento agrega na minha função, pois traz novas camadas para a forma como interajo e entendo as necessidades dos meus clientes.

Então se você tem vontade de viver algo parecido mas ainda tinha alguma dúvida, fica aqui meu empurrão para que vá e viva algo parecido, pois só existem benefícios. Se esse assunto tem relação direta com o que você faz, com certeza agrega; e se não tem, agrega também, pois negócios é algo que todo profissional deveria saber, mesmo que minimamente.

Se não tinha ficado claro, eu simplesmente amei! E já sinto aquele gostinho de “quero mais”, com certeza faria tudo de novo, ou quem sabe, em algum momento, vá atrás de outros cursos que possam me transformar ainda mais como profissional.

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