
Hoje em dia no mundo da tecnologia muito se fala sobre cloud, e apesar de já ser um assunto muito difundido, ainda existem aqueles que apesar de ter uma certa familiaridade com o conceito, ainda têm dificuldade de entender o fundamento da coisa e se perdem um pouco em como explicar o que de fato é, e como funciona. Então como eu também preciso me aprofundar mais nesse assunto, venho falar um pouco sobre a base pra gente evoluir junto nessa jornada.
Contexto
Como toda boa história, vamos precisar voltar um pouco no tempo para ter um pouco de contexto. A não muito tempo atrás, na época em que o uso de tecnologia já estava se difundindo entre as empresas e elas começaram a desenvolver sistemas para automatizar suas operações era necessário uma infraestrutura para suportar esse desenvolvimento, e para isso era disponibilizada grandes salas dentro da empresa onde ficavam grandes computadores onde ficariam hospedados os sistemas da empresa e seus dados.
Essa estrutura funcionava muito bem para a época, mas também tinha seus desafios, porque para isso a logística funcionava assim: Surgia a necessidade para o desenvolvimento de um sistema, e para isso era feito o planejamento da infraestrutura, quanto de processamento e armazenamento seria necessário, aí era feita encomenda de um servidor para as empresas que produziam esses computadores com as configurações necessárias, era necessário esperar algumas semanas para que essa máquina chegasse até a sede da empresa, e mais algum tempo para que ela fosse instalada e configurada, e ai sim começasse o desenvolvimento do sistema que foi o que inicialmente criou essa demanda.
Com toda essa infraestrutura configurada, a equipe de TI poderia finalmente desenvolver o sistema, implantar nesse servidor e disponibilizar para consumo dos usuários. Só que nesse momento começam a surgir novos desafios.
Desafios
Vamos supor que estamos falando aqui de um banco, que fez a estimativa das configurações do ambiente considerando um dia comum de pagamento dos seus clientes, e que a princípio funcionava muito bem. Porém chegou o fim do ano, e muitas lojas começam a divulgar as suas promoções imperdíveis para a black friday, e como ninguém quer perder a oportunidade de comprar os presentes de natal com preços atrativos, todos os clientes desse banco saíram para fazer compras no mesmo dia, e nosso banco começou a receber uma carga de transações financeiras muito maior do que o que havia sido previsto inicialmente no planejamento do projeto, e agora sua infraestrutura já não suporta mais essa demanda, e agora?
Com os sistemas comprometidos, os clientes não vão conseguir concluir suas compras, vão ficar frustrados, e esse problema técnico vai afetar diretamente a área de negócio do banco pois vai ter sua imagem comprometida, a confiança abalada e possivelmente grandes perdas financeiras.
E no meio de tudo isso, como contornar o problema? Não dá tempo de comprar novas máquinas porque elas não vão estar prontas no mesmo dia, e mesmo que comprem novas máquinas, elas vão passar muitos meses ociosas até a chegada das promoções no ano seguinte, o que vai gerar um custo desnecessário para manter essa infraestrutura uma vez que, além do alto custo da própria maquina, ainda demanda de um ambiente apropriado, devidamente preparado e climatizado para que sejam mantidas, e isso faz com que muito dinheiro seja gasto sem necessidade por conta de um momento específico do ano em que toda essa capacidade seja demandada.
Surgimento da Cloud
Foi olhando para isso que a Amazon viu uma grande oportunidade de mercado: Quando lançou seu e-commerce e começou a sentir essas dores no seu próprio negócio, criou soluções dentro de casa para lidar com isso, e começou a vender essa solução para outras empresas, em uma nova divisão focada em soluções computacionais chamada AWS.
A ideia era que as empresas não precisassem mais montar sua própria infraestrutura dentro de casa, e sim contratar isso sob demanda de algum outro provedor. Com isso as empresas poderiam estimar sua infraestrutura para o que fosse necessário no dia a dia, e ainda assim aumentar sua capacidade sob demanda na velocidade de um clique, pois já não seria mais necessário manter essas maquinas dentro de casa porque essa infraestrutura ja estaria sendo gerenciada por outra empresa que se preocupa só com isso.
Responsabilidade Compartilhada
Com essa nova forma de consumir infraestrutura, tendo parte da sua operação terceirizada, surgiu o que hoje chamamos de modelo de responsabilidade compartilhada, uma vez que o provedor do serviço de cloud precisa assegurar algumas garantias para que os sistemas da sua empresa continuem rodando, assim como as empresas também têm seu papel para que a operação permaneça funcionando.
Hoje existem três principais modalidades, Infraestrutura como Serviço (IaaS), Plataforma como Serviço (PaaS) e Software como Serviço (SaaS), onde para cada uma delas o nível de responsabilidade de determinados pontos do sistema são divididos entre o provedor do serviço e a empresa contratante.
IaaS: Nessa modalidade o provedor te dá a infraestrutura, ou seja, te disponibilizada um servidor que tenha todas as configurações e os componentes necessários para suportar seu processamento e armazenamento. Tendo acesso a isso, você é responsável por tudo que vai ser instalado nesse servidor, desde o sistema operacional, configurações de segurança, atualizações, até o que diz respeito a aplicação que vai rodar ali.
Já o provedor é responsável por garantir que esse servidor sempre esteja disponível pra sua necessidade, que as máquinas estejam sempre ligadas na tomada, bem acomodadas e refrigeradas e que a manutenção do hardware esteja sempre em dia.
PaaS: Nas plataformas como serviço você tem um pouco menos de responsabilidade, mas também menos flexibilidade. Nessa modalidade o fornecedor é responsável por tudo que foi mencionado no IaaS, mas agora também é responsável pelo sistema operacional, ou seja, antes ele só gerenciava o hardware, mas agora ele também cuida do software e é responsável por garantir sua atualização, a aplicação dos patchs de segurança e do bom funcionamento desse sistema.
Aqui você se preocupa só em escrever o seu código, não precisa mais se preocupar com o gerenciamento do sistema, só com a implementação da sua regra de negócio. Mas sempre bom reforçar que a segurança do seu código ainda é sua responsabilidade. Se o fornecedor promove toda a segurança do lado dele, mas você deixa uma credencial exposta no seu código, então, você abre brecha de vulnerabilidade.
SaaS: Nos sistemas como serviço a história muda completamente, o fornecedor cuida de tudo, até do código da aplicação, você é responsável só pelos dados que coloca dentro dessa aplicação. Aqui já começamos a ver exemplos de serviços que estão mais próximos do nosso dia a dia, como por exemplo o Netflix e o Spotify, mas também tem os aplicativos que fazem parte do dia a dia da operação de uma empresa como HubSport e Zendesk.
Hoje já existem milhares de outras modalidades, como por exemplo Container as a Service, Data as a Service, Functions as a Service e aí por diante, conhecidos como XaaS, ou seja, qualquer coisa como serviço. Mas por hora, para entender a base de cloud, essas três são as principais, pois é como a maioria dos serviços funcionam.

Como os desafios são resolvidos hoje
Agora com essa nova tecnologia o processo de planejamento de um projeto ficou diferente, e em determinados aspectos até mais simples. Hoje em dia ainda é feito o planejamento da infraestrutura e a estimativa de armazenamento e processamento, além disso também existem muitas outras novas preocupações para se adequar a esse novo contexto, mas que não vamos falar nesse momento para não ficar muito complicado.
Mas diferente de como era feito antigamente, agora não é mais necessário encomendar uma grande máquina para ser instalada dentro do prédio da sua empresa que vai trazer uma série de burocracia para manter esse servidor e preocupações que vão para além do projeto, como depreciação, por exemplo.
Depois de saber exatamente do que precisa, você vai abrir o painel do seu provedor de cloud no seu navegador, e apertar um botão, e em poucos minutos você já vai ter o seu ambiente.
Claro que existe também um certo nível de complexidade, e configurações adicionais que precisam ser feitas e definidas para ter o ambiente preparado para as suas necessidades, mas agora é menos burocrático, e muito mais rápido.
Dessa forma, além das facilidades, as empresas conseguem ter poder computacional sob demanda, é possível instanciar o que precisa, se a demanda aumenta o ambiente escala, e se a demanda diminui o ambiente também diminui, se surge tecnologia mais avançada você atualiza, e com isso a evolução do seu negócio fica muito mais ágil, sem precisar se preocupar com o que fazer com aquelas máquinas no seu porão que, eventualmente, vai virar sucata.
Em resumo, a cloud surge como uma resposta ágil e eficiente aos desafios de infraestrutura do passado, transformando a maneira como as empresas operam e escalam. Agora que entendemos o contexto e os modelos básicos, o próximo passo é explorar as práticas e os desafios técnicos que tornam essa tecnologia tão poderosa.
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